Estilo de Vida

Beleza e autoestima femininas

Quais são seus significados?

04/12/2015 por Drª Anaflávia Oliveira

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04/12/2015

Beleza e autoestima femininas

Quais são seus significados?

por Drª Anaflávia Oliveira

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Me formei como fisioterapeuta há 15 anos e desde recém-formada atuei com estética e bem-estar. Depois, me tornei Terapeuta. Mas nunca a Estética e a Beleza deixaram de permear meu trabalho. Apenas fui resignificando o conceito para mim e para minhas clientes. Hoje, quando recebo em meu consultório uma mulher buscando algum recurso de beleza, algum tratamento estético, tento ouvir o que tem por trás desse discurso. E na grande maioria das vezes têm uma questão de autoestima bem presente. E então, o meu objetivo passou a ser cuidar dessas mulheres, ensiná-las a se cuidarem, a se reconectarem com seus corpos e a aceitarem-se.

Acredito que para estimular a crítica a partir de uma nova forma de pensar Beleza (e a própria beleza), alguns exercícios de autocuidado podem ser instrumentos de reconecção e cura da autoestima e do amor próprio das mulheres. Esse tem sido meu desafio atual.

Gostaria de propor uma reflexão: O que é beleza para você? Quando você ouve a palavra “Beleza”, qual a primeira imagem que você vê? Talvez você tenha imaginado uma pessoa conhecida, alguma mulher estampada em capa de revista ou uma referência de corpo, pele, cabelos de um determinado padrão. Não são imagens difíceis de saltarem a nossa mente. Talvez lhe venha alguma referência de serviço ou de produto, academias de ginástica, clínicas de estética, produtos voltados para o emagrecimento ou aumento da massa muscular, cosméticos de apelos diversos que prometem juventude, forma física e bem-estar…

Essas imagens se destinam a todos que as veem, construindo em nós pensamentos que convidam a considerar a nossa imagem como “incompatível”. Portanto, esse pensamento foi construído a partir de um referencial externo. A partir desses referenciais, vamos nos colocando à mercê desses apelos, e por muitas vezes sacrificamos nossa individualidade e colocamos em risco nosso bem-estar e nossa saúde… Tudo em busca de um “não sei o quê, não sei para quê” desconectado de nós mesmas. Não existe uma pausa reflexiva, “não pode existir”! Todo esse movimento é criado para não pensarmos, não questionarmos e sedutoramente somos convidadas a consumir algo, fazermos algo, sermos algo… Algo diferente do que somos.

Bom, “pára tudo”!!

O mercado de beleza a mil: produção de produtos, serviços que não param de crescer auto-alimentados por mim e por você com nossos medos de exclusão, baixa autoestima e milhares de inseguranças… O meio ambiente degradado: aumento na produção de lixo, espuma tóxica nas águas, recursos naturais explorados, animais sendo testados e nós aqui consumindo enquanto nosso medo e nossa autoestima não melhoram… Diante desse cenário, como profissional de saúde, terapeuta e mulher, gostaria de propor algo nesse momento: PARE! PAUSE! Experimente fazer um movimento mais atento. E para isso esse movimento precisa ser lento, FORA E DENTRO de você!

Vamos entender: Beleza não é estética, é sentimento! Ser bonita é acima de tudo sentir-se bonita. A beleza está atrelada a duas idéias: “como eu me vejo?”, de acordo com a imagem refletida no espelho e, “como eu me sinto?”. O segundo conceito, embora subjetivo, é o que melhor conversa com a autoestima da mulher. Não parece tão simples, não é mesmo? Mas é fácil de praticar.

Quando sinto meu corpo, descubro minha textura, a temperatura da minha pele, eu reconheço quem sou e como sou, e isso também conta da minha história. Se fizermos esses movimentos com calma, com atenção, isso torna-se um ritual, e a partir dele vamos fortalecendo nossa percepção e aceitação de nós mesmas. Por exemplo, posso preparar um banho caprichado com aromas e uma vela completando o ambiente, no intuito de ficar desconectada do mundo e ligada somente ao meu corpo. Ou então posso passar um creme na pele, delicada e lentamente, percebendo meus contornos… Me enxergo, percebo quem sou. Talvez eu coloque uma cor nos lábios, talvez não… Nesse ritual, o físico, o sensorial e o emocional estão presentes no mesmo momento, e assim volto minha atenção só para mim, descanso e me reconheço.

Exercitar este momento pessoal diariamente é recarregar as energias e fortalecer a nossa percepção de quem realmente somos. Uma vez fortalecida essa nossa percepção, a opinião alheia não nos afeta mais. Por isso, quero te convidar a descobrir seu melhor momento! Teste, toque-se, permita-se! Conheça a mulher que vive em ti e faça dela a sua maior aliada!

“Beleza é aquilo que me conecta com o melhor de mim, do ambiente e do mundo”. Francine Pezeta

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

  1. Nasio, J.D, “Meu Corpo e suas Imagens”, Ed. Jorge Zahar

Autora: Francine Pezeta