Saúde do couro cabeludo

Tempo de Crescimento do Cabelo

15/04/2016 por Amanda Barbeito

blog-folyc-amanda-barbeito-tempo-de-crescimento-do-cabelo
blog-folyc-amanda-barbeito-tempo-de-crescimento-do-cabelo

15/04/2016

Tempo de Crescimento do Cabelo

por Amanda Barbeito

0

Bom pessoal, esse é um assunto frequente e muito comum não só no Ateliê como em diversos salões de beleza, escola, faculdade ou qualquer rodinha de amigas. Muita gente não sabe, mas assim como nós que passamos por diferentes fases do ciclo de vida (via de regra: nascemos, crescemos, nos reproduzimos, envelhecemos e morremos), os nossos fios de cabelo que também tem vida, individualmente possuem seu próprio ciclo que teoricamente é dividido em três fases: crescimento, repouso e queda. É bem mais complexo do que podemos imaginar.

Vejam a figura 1:
blog-folyc-amanda-barbeito-tempo-de-crescimento-do-cabelo-ilustracao-1

A imagem demonstra que cada fase do ciclo capilar é regulada por uma série de sinalizadores celulares, uma espécie de mensageiro entre as células.

Vamos conhecer agora um pouco mais sobre cada uma dessas etapas em seus aspectos gerais:

• Fase 1 – Crescimento
Normalmente, o fio de cabelo cresce durante dois a sete anos. Esta é a chamada Fase Anágena onde 80% a 90% dos fios estão. É quando o cabelo cresce e cresce, e temos a impressão de que ele cresce sem parar…

• Fase 2 – Repouso
Após o tempo máximo de crescimento, os fios se desprendem do couro cabeludo e migram em direção à superfície da pele, passando pela sua fase de repouso, também denominada Fase Catágena.

Esta etapa dura em torno de três semanas e 5% dos fios estão nela. Esta fase pode ser lembrada quando pensamos: “Nossa! Meu cabelo não está crescendo, cortei há uns três meses e ele ainda está do mesmo tamanho?!”

• Fase 3: Queda
Os fios soltam-se completamente do couro cabeludo logo após a fase de repouso. Este processo é chamado de Fase Telógena.

Esta etapa dura em média três meses e 10% a 20% dos fios estão nela. Sabe aqueles fios que ficam no ralo do banheiro ao final do banho? São os fios na fase de queda. Quando a queda dura semanas ou meses significa que o cabelo está de fato no “outono”, ou seja, é a fase onde os cabelos caem mais, ainda dentro de uma normalidade.

blog-folyc-amanda-barbeito-tempo-de-crescimento-do-cabelo-ilustracao-2

É importante lembrar que nesse meio tempo em que os fios se soltam completamente do couro cabeludo, o bulbo capilar (raiz do cabelo) continua trabalhando. Isto significa que, enquanto o fio ainda está preso ao folículo, este também está trabalhando na produção do novo fio que deverá crescer.

Embora a média da queda de cabelo se estabeleça entre 80 a 120 fios por dia, a queda diária normal é diretamente proporcional ao número total de cabelos e a duração da sua fase de crescimento, anágena.

Normalmente, um fio cresce 1 cm por mês. Ou seja: se você possui 100 mil fios de cabelo e a sua fase de crescimento dura em torno de três anos, então, você terá uma queda de 100 fios de cabelo por dia, sendo que a sua troca total de fios deverá ocorrer a cada três anos.

Sendo assim, se uma pessoa tem 150 mil fios de cabelo no couro cabeludo, 80% deles estão em Fase Anágena, mais ou menos 120 mil fios estarão em crescimento.

Lembrando que o tempo de crescimento do cabelo varia de pessoa para pessoa, pois ele é determinado pela genética de cada indivíduo, podendo sofrer variações por questões hormonais, doenças, deficiências nutricionais, estresse pós-cirúrgico, estresse psicológico, entre outros fatores. Quando me fazem perguntas sobre crescimento de cabelo, sempre cito a Xuxa como exemplo: Já a viram com o cabelo comprido? Não, porque a fase de crescimento do cabelo dela deve ser muito menor do que a média da população.

Para encerrarmos de vez as dúvidas, fizemos também algumas perguntas também para a tricologista Drª Anaflávia Oliveira:

1 – Com o tratamento capilar médico, é possível aumentar o tempo de crescimento e comprimento dos cabelos?
Drª Anaflávia: Depende. Se houver alguma patologia que esteja levando ao encurtamento da fase de crescimento, sim, é possível aumentar o tempo de crescimento e comprimento do cabelo após corrigir a causa do problema. Por outro lado, se o motivo diagnosticado for genético, não é possível, pois o cabelo poderá até crescer mais rápido, mas logo depois, estabilizará até um determinado comprimento e cairá no tempo programado pelos genes.

2 – Como saber se o cabelo está com uma queda normal ou se está passando por algum problema após semanas ou meses de queda?
Drª Anaflávia: Existem vários parâmetros que precisam ser avaliados pelo tricologista. Alguns deles são:
– Contagem diária de fios: Como a Amanda mencionou acima, levando em consideração a densidade do cabelo, a queda de 80 a 120 fios é considerado normal. Atualmente, temos recursos diagnósticos que possibilitam uma resposta clara e objetiva, já que pode haver erros durante a contagem dos fios.
– Tempo de queda: Geralmente, uma queda levemente acentuada pode durar por semanas até 3 meses, e melhorar espontaneamente, ou seja, sem precisar de tratamento. Um exemplo é a queda acentuada que ocorre em mulheres após o terceiro e quarto mês após o parto e persiste por 3 meses, voltando ao normal em seguida.
– Doenças associadas: Se houver algum distúrbio sistêmico (hormonal, metabólico, digestivo e etc.), a probabilidade de ser patológico, aumenta consideravelmente. Em caso de suspeita, é necessário iniciar a investigação com exames laboratoriais. Lembrando que quanto mais cedo iniciar o tratamento específico, melhores são os resultados.

Espero que tenha ajudado e respondido diversas perguntas do dia a dia e que a tricologista Drª Anaflávia tenha esclarecido mais dúvidas sobre possíveis tratamentos e causas.

E também que vocês possam auxiliar uma amiga quando ela falar: “Nossa, meu cabelo não cresce… O cabelo da Fulana cresce sem parar e o meu está sempre deste tamanho…” Garanto que vocês irão se sentir o máximo explicando tecnicamente o motivo do cabelo da Fulana crescer tanto.

Referência Bibliográfica:

MANSUR, Cristina; GAMONAL, Aloisio. Cabelo normal. In: KEDE, Maria Paulina Villarejo; SABATOVICH, Oleg. Dermatologia Estética. São Paulo: Atheneu, 2004, p. 151-163