Saúde do couro cabeludo

Cuidados com a Química Capilar e Cosméticos na Gravidez

12/05/2016 por Evelize Bratfisch

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12/05/2016

Cuidados com a Química Capilar e Cosméticos na Gravidez

por Evelize Bratfisch

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O sonho de muitas mulheres é ser mãe, não é mesmo meninas? Nesta fase é muito importante tomar cuidado com os cosméticos utilizados, tanto na pele quanto nos cabelos. A maior preocupação com cosméticos capilares na gestação são as químicas de transformação (leia-se: colorações, alisamentos e permanentes), todas contêm substâncias tóxicas que podem provocar alterações neurológicas, mutagênicas (má formação nos membros e órgãos), entre outros problemas de saúde.


No caso das colorações, o componente mais preocupante é o Acetato de Chumbo, e nos alisamentos é o formaldeído.
ACETATO DE CHUMBO
Em publicações recentes do FDA, o Acetato de Chumbo, antes permitido em colorações capilares, tem efeito acumulativo e está associado ao surgimento de alguns tumores incluindo leucemia, linfoma e tumores de bexiga. Seu uso está proibido no Brasil, mas infelizmente ainda é encontrado em algumas colorações.

Segundo a Dra. Harris, que é PHD em Toxicologia Celular, uma particularidade desse agente é sua capacidade de contaminação do feto através do organismo materno: durante a gestação e lactação, o chumbo retido nos ossos maternos é deslocado para a corrente sanguínea. Assim, ocorre a contaminação do feto durante a gestação, e do bebê durante a lactação. Portanto, o histórico de exposição da mãe interfere diretamente na saúde do bebê uma vez que esse material pode ficar retido por décadas no organismo materno.

CONSEQUÊNCIAS MAIS GRAVES DA EXPOSIÇÃO AO CHUMBO:

– Neurotoxicidade: Interfere sobre o desenvolvimento do sistema nervoso central e cérebro;

– Prejuízo das funções cognitivas: altera o desenvolvimento intelectual;

– Atraso mental.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, anualmente surgem cerca de 600.000 novos casos de crianças com deficiência intelectual, sendo o chumbo considerado um fator impactante nesse cenário.

ALISAMENTO ÁCIDO

– FORMALDEÍDO

Essa substância é extremamente tóxica, cancerígena e irritativa, mas infelizmente ainda é o preferido das mulheres por proporcionar o alisamento mais efetivo.

O risco do formaldeído está na indevida inalação dos gases e contato com a pele na hora da aplicação, em uso de maior concentração e/ou frequência de uso. É perigoso tanto para os profissionais que aplicam o produto quanto para os respectivos utilizadores.

A exposição a essas partículas provoca problemas respiratórios e cardiovasculares, principalmente em crianças e idosos. Também é responsável pelo baixo peso dos bebês ao nascimento. Em concentrações de 20 ppm (partes por milhão) no ar causa rapidamente irritação nos olhos.

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamenta o uso cosmético do formol, sua quantidade máxima permitida é de 0,2% na fórmula, mas muitos salões afim de aumentar a eficácia no alisamento, adicionam formol a mais nos produtos. Isso é proibido conforme o artigo abaixo da regulamentação do formol:

Art. 2° A adição de formol ou formaldeído a produtos cosméticos acabados em salões de beleza ou qualquer outro estabelecimento acarreta riscos à saúde da população, contraria o disposto na regulamentação de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes e configura infração sanitária nos termos da Lei n° 6.437, de 20 de Agosto de 1977, sem prejuízos das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.

TOXICIDADE DO FORMOL

Efeitos Inalação e Contato com o Formol
EFEITOS NO SISTEMA RESPIRATÓRIO Irritação em todo o trato respiratório, tosse, falta de ar, em altas concentrações, bronquite, pneumonia, edema pulmonar e laringite.
EFEITOS SISTÊMICOS Dores de cabeça, vertigem.
VAPOR DE FORMOL NA PELE Pele esbranquiçada, áspera e forte sensação de anestesia e necrose da pele superficial.
CONTATO MAIS PRLONGADO Dermatite e hipersensibilidade na pele, rachaduras e ulcerações.
OLHOS Lacrimejamento, Irritação e conjuntivite.
CELULARES Tumores, principalmente os do sistema linfático, inclusive em crianças, cujas mães tiveram contato com formol.

– ÁCIDO GLIOXÍLICO

Segundo a ANVISA, não há estudo de segurança suficiente para utilização deste produto na gravidez e por enquanto ele está proibido. Apresenta um pH muito ácido podendo danificar fio e couro cabeludo.

ALISAMENTO ALCALINO

– HIDRÓXIDOS

Existem vários tipos de alisantes a base de hidróxidos sódio, lítio, guanidina. São antigos no mercado e sua toxicidade está relacionada a lesões na pele, ou processos irritativos. Deve-se tomar cuidado para não ficar muito tempo na fibra capilar, pois os mesmos a rompe. Como a gestante está passando por uma fase de baixa imunidade, estes produtos podem causar lesões de pele mais graves e em maior frequência.

– TIOGLICOLATO DE AMÔNIO

Encaixa-se na mesma categoria dos anteriores, pois já é usado há muitos anos. Apesar de não haver relatos de danos graves ao organismo, é bastante irritativo, tanto na pele quanto para olhos e vias nasais.

É importante não esquecer que no período de gestação todo cuidado é pouco, curta este momento maravilhoso. Não é necessário abrir mão da vaidade, apenas escolha produtos que não coloque em risco sua saúde e especialmente à de seu bebe.

Beijos e até mais ;D

PERGUNTAS E RESPOSTAS ADICIONAIS

1- O chumbo pode ser encontrado tanto nas colorações definitivas quanto nos tonalizantes? Qual é sua função na coloração?

Resposta: A função do chumbo é fixar a cor, a ANVISA permite 20ppm (partes por milhão), em todos os tipos podem conter chumbo.
2- Está na moda falar em coloração natural, a base de óleos vegetais, essenciais e plantas.  As gestantes podem usar essas colorações naturais tranquilamente ou existe algum risco? Se existe, o que a gestante precisa ficar atenta no rotulo ou composição do produto?

Resposta: As colorações naturais normalmente não causam reações, exceto se a pessoa tiver alergia a algum componente da fórmula. Atente-se sempre ao rótulo para saber a procedência, registro na ANVISA, responsável técnico, pois há muitas empresas “fundo de quintal” produzindo.
3- Sabemos que muitas mulheres não conseguem passar toda a gravidez e lactação sem nenhum tipo de cobertura para os cabelos brancos. Se ela optar por fazer algo, quais os produtos (incluindo a marca) mais seguro no mercado?

Resposta: As colorações mais seguras são os corantes vegetais, tais como henna, a camomila e o índigo. Eles agem depositando uma capa colorida na fibra, mas com poucas nuances de cores. A henna só varia dos tons vermelhos a alaranjados, a camomila para amarelo, e o índigo para preto azulado, outras cores somente são obtidas com a mistura de outros extratos vegetais (folha de nogueira, sálvia, castanheiro, hera, coco, pimentão, entre outros), ou com a mistura de pigmentos metálicos. Precisamos ficar atentos, pois algumas empresas adicionam ppd à henna natural para que haja maior fixação da cor, levando a maior predisposição a alergias.
4- Muitas empresas estão colocando no mercado colorações livres de amônia. A amônia na coloração é um problema? Pode causar malformação no feto também? O maior problema da amônia é devido seu poder irritativo e alérgico ou pode ter mais algum efeito colateral? O que você diz sobre essas “colorações livre de amônia”?

Resposta: A amônia é um componente muito importante para as colorações permanentes, pois a sua função é alcalinizar a mistura fazendo com que os pigmentos se fixem de uma forma permanente, a mudança de tom só é eficaz na presença dela.  A amônia é uma substância irritativa de pele, mucosas oculares e respiratórias, somente em tinturas temporárias é possível a ausência de amônia. No caso das permanentes, só estará ausente se for substituída por outra substância alcalinizante.
5- Em relação aos alisamentos em geral, além da irritação, alergias e queimaduras no couro, tem algum estudo comprovando malformação no feto?

Resposta: Talvez pelo uso do formol ser recente, existem relatos médicos sobre o nascimento de crianças com malformação, prematuros, ou com doenças relacionadas a ele. Porém, hão há estudos publicados em relação ao uso de alisantes causarem malformação fetal.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

  • ANVISA – Resolução n°36, 17 de junho de 2009, formol, disponível em www.portal.anvisa.gov.br.
  • Liliane Jesus, Isabel Andrade, Margarida Pocinho, Ana Girão. Exposição Ocupacional ao Formaldeído, COV e Partículas: Impacto na Saúde Humana. Revista: Interações e novas modernidades. nº22. Portugal, 2013.
  • Maria Inês Harris. O batom, o chumbo e a segurança do consumidor. Revista Cosmetic & Toiletries, Ed. Janeiro/Fevereiro, 2013.
  • Organização Mundial de Saúde. n.d. Formaldeído e ar Interior. URL: http://translate.google.pt/translate?hl=ptPT&langpair=fr%7Cpt&u=http:// www.hc-sc.gc.ca/hl-vs/iyh-vsv/environ/formaldehydefra.php
  • Solange Garcia. Permanentes e alisantes. Material Disponível para Alunos da Pós-Graduação em Tricologia Cosmética, Faculdades Oswaldo Cruz, 2015.