Beleza dos fios

Shampoo Bomba com Bepantol e Monovin A

12/05/2016 por Drª Anaflávia Oliveira

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12/05/2016

Shampoo Bomba com Bepantol e Monovin A

por Drª Anaflávia Oliveira

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O QUE É SHAMPOO BOMBA COM BEPANTOL E MONOVIN A?

É uma mistura caseira (Monovin A, Bepantol líquido e shampoo sem sal) que promete fazer o cabelo crescer rapidamente. O risco está em dos componentes contidos na receita, o Monovin A.

POR QUE NÃO USAR E QUAIS OS RISCOS DO SHAMPOO BOMBA?

É um produto INJETÁVEL e de uso VETERINÁRIO contendo ALTAS CONCENTRAÇÕES de Vitamina A. Mas o que isso significa?

1. Uso Veterinário e Injetável: Não há testes de eficácia e segurança em humanos. Por isso, seu uso não é recomendado. O uso recomendado é na forma INJETÁVEL e em CAVALOS. No cabelo, o Monovin A vai atuar como “anabolizante” acelerando o ciclo capilar. A usuária pode até perceber um crescimento inicial, mas que será seguido de uma queda acentuada além de outros inconvenientes citados abaixo:

A Vitamina A pode ser utilizado apenas em humanos nas formas retinol, palmitato de retinila e retinaldeído. O uso da Vitamina A em cosméticos deve seguir as orientações da ANVISA. Veja um trecho do texto:

Considerando o exposto, a CATEC recomenda e a Gerência-Geral de Cosméticos determina:

  • QUE A VITAMINA A, NAS SUAS FORMAS RETINOL E PALMITATO DE RETINILA, SEJA USADA EM PREPARAÇÕES COSMÉTICAS NA CONCENTRAÇÃO MÁXIMA DE 10.000 UI DE VITAMINA A/G DE PRODUTO ACABADO, ESPECIFICANDO O TEOR DE SUBSTÂNCIA ATIVA DA MATÉRIA-PRIMA UTILIZADA NA FORMULAÇÃO.
  • QUE A VITAMINA A, NA SUA FORMA RETINALDEÍDO, SEJA USADA EM PRODUTOS COSMÉTICOS NA CONCENTRAÇÃO MÁXIMA DE 0,05%, CONDICIONADA À COMPROVAÇÃO DE SUA ESTABILIDADE QUÍMICA NO PRODUTO ACABADO.
  • PARA FINS DE REGISTRO, OS PRODUTOS CONTENDO RETINÓIDES NA FORMULAÇÃO SÃO CLASSIFICADOS COMO GRAU DE RISCO II.

2. Altas Concentrações: Fica claro que a Vitamina A em altas doses causa danos à saúde e por incrível que pareça para os cabelos também. O Monovin A tem como veículo uma mistura oleosa. Com certeza, em couro cabeludo oleoso, a tendência com seu uso é piorar e levar a uma dermatite que consequentemente leva a queda. Além disso, os fios de cabelos vão ficando opacos e quebradiços. No texto acima, há referências sobre a concentração máxima de cada uma das formas nos cosméticos. Veja os danos relativos aos excessos de Vitamina A:

  • Cabelo e áspero
  • Queda parcial de pelos, sobrancelhas
  • Lábios gretados e pele seca e rugosa
  • Sintomas tardios: Cefaleias intensas, hipertensão craniana, fraqueza generalizada, aumento das protuberâncias ósseas e as dores articulares, aumento de fígado e baço.
  • Na gravidez: Malformações congênitas

E se você ainda tem dúvidas, há blogueiras que apresentaram todos esses sintomas de intoxicação. Caso ainda não esteja convencida em não usar, oriento continuar a pesquisa que você vai achar esses relatos.

3. Bepantol: O Bepantol é uma solução líquida rica em pró-vitamina B5 associada a lanolina, óleo de amêndoas e cera de abelha. Possui propriedade hidratantes e nutritivas que melhoram o aspecto ressecado do cabelo. De acordo com as orientações do fabricante, ele é aplicado nos cabelos úmidos e limpos. Não é recomendado fazer receitas caseiras, pois isso pode levar a perda da eficácia e contaminações pela perda da estabilidade química do produto.

4. Shampoo sem Sal: A verdade é que o sal (Nacl) contido nos shampoos é apenas um agente para dar viscosidade, na concentração recomendada e utilizada pelos fabricantes, não há nenhuma desvantagem para o cabelo e pele. Pelo contrário, acho que ninguém aqui gostaria de usar um shampoo aquoso, não é mesmo?! Sabemos que o shampoo sem sal é apenas uma estratégia de marketing utilizada pelas empresas de cosméticos capilares, já que quando não é utilizado o Nacl na formulação do shampoo, a empresa substitui por outro sal (com nome diferente).

Um beijo grandão a todos vocês e espero que essas informações sejam bastante úteis e ajudem muitas meninas a não danificarem seus cabelos e sua saúde.

COMENTÁRIOS DA QUÍMICA E TRICOLOGISTA EVELIZE BRATIFISCH:

Nunca devemos esquecer uma frase bem antiga: “A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, como a Dra. Anaflavia disse, o Monovin A é uma medicação usada em animais com carência de vitamina A, aplicado via intramuscular profunda, ou seja, em animais doentes, pois quando um animal está saudável e come bem, todas as vitaminas e minerais são retirados da alimentação.

E hoje vemos pessoas tentando compensar a falta de nutrientes nos cabelos usando fórmulas malucas que só servem para piorar o problema, outro dia na aula de Pós-Graduação, um colega relatou que uma cliente viu na internet um produto “milagroso” usado via oral para animais debilitados, como sendo a última promessa para um cabelo forte e resistente.
Como veterinária e conhecendo o produto há muitos anos, eu posso dizer que ele possui vários tipos de aminoácidos (componentes da proteína que forma a fibra capilar) e vitaminas, mas também uma grande quantidade de glicose e que não há comprovações do seu funcionamento como produto de beleza. Os excessos de aminoácidos endurecem a fibra capilar promovendo a quebra da mesma (isto é comprovado cientificamente).

Nos animais o excesso de vitamina A causa problemas nas articulações, de reprodução, hemorrágicos, perda de pelo, diarreia e vômitos, então podemos concluir que o uso de vitamina A só deve ser feito em pessoas/animais com a deficiência da mesma.
Muitos problemas capilares combatidos por este “Shampoo Bomba”, poderiam ser facilmente resolvidos com uma alimentação correta, consultas ao dermatologista e visitas periódicas aos cabeleireiros, pois estes são os profissionais indicados para diagnosticar e cuidar corretamente dos cabelos.

Beijos e até a próxima matéria!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • ANVISA – Legislação Específica, disponível em http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/legis/especifica_registro.htm
  • ETTINGER, S.J.; FELDMAN, E. C. Tratado de Medicina Interna Veterinária. 5ed. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 1038, 2004.
  • SWENSON, M. J.; REECE,W.O. Dukes Fisiologia dos Animais Domésticos – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.856, 1996.