Saúde do couro cabeludo

Exames para diagnosticar queda capilar

28/10/2016 por Drª Anaflávia Oliveira

portrait of a cute young girl looking through magnifying glass at the park
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28/10/2016

Exames para diagnosticar queda capilar

por Drª Anaflávia Oliveira

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MÉTODOS COMPLEMENTARES AJUDAM NO DIAGNÓSTICO

Atualmente, em virtude dos avanços tecnológicos, podemos contar com várias metodologias e técnicas para análise de um problema capilar. Algumas são através da simples coleta de sangue, urina ou saliva, outras através de biópsia do couro cabeludo, e também existem aquelas através de imagens ou softwares, como no caso da tricoscopia, em que se utiliza a vídeodermatoscopia ou o trichoscan em que se utiliza um software.

Cada uma das técnicas são utilizadas em situações específicas, ou seja, tem suas indicações quando há a suspeita de um diagnóstico em particular. A maioria dos problemas capilares (calvície, queda capilar difusa e alopecia areata) são facilmente reconhecidos clinicamente. A maior dificuldade se apresenta nos casos ambíguos ou limítrofes em que o médico se depara com a dificuldade em confirmar um diagnóstico. Nestes casos, métodos complementares invasivos, semi-invasivos ou não invasivos devem ser realizados para a confirmação e o acompanhamento ao longo do tratamento.

ALGUNS EXAMES ÚTEIS PARA A ANÁLISE DE PROBLEMAS CAPILARES:

• Vídeo-dermatoscopia: exame não invasivo, sem corte e dor para o paciente, e é visualizado por imagem. Através deste exame, conseguimos avaliar as condições em que se apresenta o couro cabeludo e fios de cabelo, comparar as regiões saudáveis e com problemas bem como classificar a intensidade e a gravidade dos problemas capilares.
Podemos visualizar as inflamações (dermatites), oleosidade excessiva (seborreia), afinamento dos fios, fragilidade da haste capilar entre outros. Todas essas informações serão valiosas para o tricologista, pois é através desses dados que vamos formando o raciocínio clínico. A partir disso, veremos se são necessários outros exames que vão auxiliar a confirmar ou complementar o diagnóstico.

• Biópsia do couro cabeludo: este é um método mais invasivo, pois é necessário retirar um pedacinho de 4 mm da pele do couro cabeludo do paciente. O material é levado para o laboratório e o médico patologista vai avaliar microscopicamente as estruturas e dará seu parecer através de um laudo. Existem patologistas especialistas em cabelo e pele (dermatopatologista) e isso contribui muito para a riqueza de detalhes do laudo facilitando o diagnóstico.
Este exame é particularmente útil quando há suspeita de alopecia cicatricial, aquela alopecia em que há destruição completa do folículo piloso. Sabemos que neste caso, a alopecia é irreversível, pois não conseguimos repor um fio de cabelo nas regiões em que não há mais folículo piloso. O tratamento nestes casos, visa apenas a estabilização do problema capilar, ou seja, fazer com que não haja aumento ou piora da doença.

• Trichoscan: O TrichoScanⓇ é um método computadorizado (software), desenvolvido na Alemanha, de avaliação capilar validado internacionalmente. Combina microscopia epiluminescência padrão (sistema ELM) com análise de imagem digital através de fotografias tiradas do couro cabeludo por meio de uma câmera digital.
Podemos ter os seguintes dados: quantidade de fios nascendo e caindo (fase anágena e telógena), espessura dos fios (fios em afinamento) e densidade (quantidade total de fios presentes)
Por ser uma ferramenta de medição digital do crescimento e perda do cabelo, ela contribui com o diagnóstico de algumas alopecias, além de avaliar a gravidade ou intensidade do quadro e ser possível acompanhar de forma informatizada o quadro evolutivo dos pacientes em tratamento.

• Tricograma e o Fototricograma: pouco utilizados atualmente por serem semi-invasivo (é necessário arrancar os fios com uma pinça fazendo tração), causam dor ao paciente.

• Outros testes: Há vários outros testes clínicos simples como o teste de tração, contagem dos fios, exames laboratoriais de sangue, urina e saliva que avaliam metabolismo, hormônios, vitaminas, minerais nutrientes e minerais tóxicos.

Nas últimas décadas, várias técnicas foram sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas na tentativa de evitar métodos invasivos para avaliação dos problemas capilares. Métodos semi-invasivos, como o tricograma e o fototricograma são de grande valia, porém ainda apresentam diversas desvantagens em relação a sua realização e análise.

Fico feliz em ter a oportunidade de dividir com vocês tudo que aprendo e venho utilizando na minha prática clínica.

Obrigada e espero que gostem :)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

– Hoffmann R1 Dermatology. Trichoscan: what is new? 2005;211(1):54-62.

– Hoffmann R1. J Investig Dermatol Symp Proc. TrichoScan: a novel tool for the analysis of hair growth in vivo. 2003 Jun;8(1):109-15.