Saúde do couro cabeludo

CALVICIE FEMININA

25/11/2016 por Drª Anaflávia Oliveira

calvicie-feminina
calvicie-feminina

25/11/2016

CALVICIE FEMININA

por Drª Anaflávia Oliveira

0

SAIBA AS PRINCIPAIS CAUSAS DA ALOPECIA FEMININA

Primeiramente, gostaria de agradecer os elogios que temos recebido dos pacientes e queridos leitores. Pode ter certeza que vocês são nosso maior incentivo para continuar trazendo informações da área da tricologia de forma séria e confiável.

O tema que trouxe hoje e muito comum no dia a dia da clínica: Calvície feminina (Alopecia Androgenética). Embora seja um assunto extenso, gostaria de comentar com vocês sobre seus aspectos mais importantes e desvendar alguns mitos que vejo (infelizmente, e muita bobagem escrita por ai)

Por ser um tipo de alopecia que tem um impacto emocional muito grande nas mulheres, o diagnóstico precoce e a prevenção são fundamentais para quem ama e deseja preservar a saúde de seus cabelos.

Segundo a literatura, apesar de ser uma alopecia muito comum nos homens (40-50%), as mulheres vêm sendo cada vez mais acometidas por este tipo, sendo em torno de 20% durante a idade fértil e uma porcentagem ainda maior quando entram na menopausa.

Classificação da Alopecia Androgenetica segundo Ludwig

Classificação da Alopecia Androgenetica segundo Ludwig

1- CAUSAS DA CALVÍCIE FEMININA

  • Aumento da produção de hormônios androgênicos
  • Síndrome do ovário policístico
  • Hiperplasia adrenal congenital
  • Tumores ovarianos
  • Tumores da Supra Renal
  • Reposição hormonal excessiva
  • Expressão aumentada de receptores androgênicos
  • Hiper responsividade dos receptores androgênicos
  • Aumento da atividade da enzima 5-alfa-redutase

O próprio nome (Alopecia Androgenetica) explica sua causa. “Andro” vem de androgênios (DHT, Testosterona, androstenediona, DHEA) que são os hormônios produzidos pela supra renal e/ou ovarios. Esses hormônios atuam a distância, em diferentes regiões do corpo, incluindo o folículo piloso (bulbo). A enzima 5 alfas redutase transforma a testosterona em DHT, sendo este o responsável pelo afinamento progressivo dos fios.

“Genética”, vem do polimorfismo (A>G) encontrado no primeiro exon do gene. Relacionado ao cromossomo X e, portanto, pode acometer tanto homens quanto mulheres. Sua penetrancia e variável e pode inclusive pular gerações.

2- SINAIS E CARACTERÍSTICAS DA ALOPECIA FEMININA

  • Afinamento lento e progressivo dos fios
  • Rarefação dos cabelos
  • Bronzeamento e queimadura do couro após exposição sol
  • Aumento da oleosidade no couro cabeludo
  • Dificuldade no crescimento dos fios
  • Queda de fios muito curtos
  • Aumento de penugem (pelos vellus)
  • Hiperandrogenismo: acne, seborreia, aumento pelos grossos no corpo.

3- FATORES DESENCADEANTES OU QUE PIORAM A CALVÍCIE FEMININA:

  • Variações de peso
  • Uso de anabolizantes
  • Hábitos Alimentares
  • Algumas químicas capilares
  • Alguns Medicamentos
  • Comorbidades associadas
  • Estresse físico, mental ou emocional

Em seu estudo, Ramos diz que o dermatoscópio é uma excelente uma ferramenta capaz de mostrar de forma simples sinais precoces de miniaturização capilar. E realmente, com ele, podemos classificar e diagnosticar de forma precoce a alopecia, além de conseguir acompanhar a resposta do tratamento realizado.

Miniaturização dos fios vista pela dermatoscopia

Miniaturização dos fios vista pela dermatoscopia

Apesar da origem genética, há tratamento para alopecia feminina. Até o momento presente, não há cura definitiva e o tratamento visa controle dos sinais e retardamento ao máximo a evolução da doença. Na pratica clínica, percebemos que quanto mais cedo iniciar um tratamento específico, melhores são os resultados e a satisfação do paciente. Quem trata da forma correta sabe do que estou falando. Os estágios iniciais de acordo com a classificação de Ludwig apresentam os melhores resultados.

Fiquem atentos e quando houver dúvidas, procure um especialista em cabelos. O médico através de uma avaliação clínica, dermatoscopica e laboratorial consegue investigar, analisar todos os fatores de risco que envolvem a calvície feminina, para orientar melhor e tratar de forma individual.

Não há “receitinha de bolo” para o tratamento mesmo porque alguns medicamentos possuem contraindicações e precauções em seu uso.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • Dermoscopic findings in female androgenetic alopecia*, Bras. Dermatol. vol.87 no.5 Rio de Janeiro Sept/Oct. 2012
  • Fitzpatrick, Tratado de Dermatologia.