Saúde do couro cabeludo

MICROAGULHAMENTO NA TERAPIA CAPILAR

22/09/2017 por Magdalena Rios Osuna

microagulhamento campilar
microagulhamento campilar

22/09/2017

MICROAGULHAMENTO NA TERAPIA CAPILAR

por Magdalena Rios Osuna

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O FOCO SÃO OS FATORES QUE ESTÃO PRESENTES NA FASE DE CRESCIMENTO CAPILAR E O DRUG DELIVERY

Atualmente, a utilização do microagulhemento tem se mostrado uma das técnicas mais requisitadas por profissionais da área da saúde e da beleza por ser um grande diferencial para a atuação em procedimentos e, de certa forma, elevar o nível dos tratamentos terapêuticos, melhorando o tempo de resposta do local a ser estimulado e vislumbrando resultados satisfatórios para o profissional e o cliente – paciente.

Este tema será discorrido com foco na terapia capilar, ou seja, nosso alvo de tratamento é o couro cabeludo, onde o objetivo não é apenas a síntese de colágeno, que colabora com o crescimento do cabelo devido às substâncias liberadas em sua reação de desenvolvimento. O foco são os fatores de crescimento que estão presentes na fase de crescimento capilar (fase anágena) e também o drug delivery.

Esta técnica consiste em produzir furos minúsculos na pele com objetivo de estimular os fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno e pela reparação tecidual, sem provocar a desepitelização total da pele. Como é observado nas técnicas ablativas, os riscos e o tempo de recuperação são maiores.

Trata-se de um sistema de microagulhas aplicado à pele com o objetivo de gerar múltiplas micropunturas, longas o suficiente para atingir a derme e desencadear, com a injúria provocada, o estímulo inflamatório que resultaria na produção dos fatores de crescimento para reparar o microcanal desenvolvido com as agulhas.

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O microagulhamento é uma técnica que utiliza um aparato composto basicamente de duas partes: um cabo e um rolo de polietileno, denominado de roller. O rolo é cravejado de agulhas que podem variar em número (marcas nacionais e importadas frequentemente apresentam 75, 192, 200 ou 540 agulhas), tamanho (de 0,25 mm a 3 mm), formato e composição. O comprimento das agulhas determina a profundidade em que vão chegar. Entretanto, para isso, precisamos ser éticos e respeitar os limites de cada promissão mediante a legislação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

As agulhas variam de 0,25mm até 3,0mm, sendo que a esteticista, o terapeuta capilar, está autorizada a utilizar até 0,5 mm… acima de 2,0 mm somente uso médico!

Fisioterapeutas, biomédicos e farmacêuticos podem utilizar agulhas de até 1,5mm, mediante curso específico para capacitar-se dentro da técnica e poder intervir de forma a controlar qualquer reação lateral que esse tamanho de agulha deixa exposto a acontecer. Esses profissionais podem utilizar agulhas maiores se trabalharem em uma clínica com um médico responsável autorizando e acompanhando.

Agulhas menores que 0,5mm são utilizadas somente para permeação de ativos, não trazendo nenhum resultado na produção de colágeno ou fatores de crescimento; somente 0,5 mm e acima que acontece a produção de colágeno.

No rosto, pode-se utilizar a agulha de 0,25mm até 1,5mm e, para o corpo, de 1,0mm até 3,0mm, dependendo da espessura da pele de cada cliente, sendo que acima de 1,0mm é necessário o uso de anestésico tópico, pois a dor pode ser intensa.

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MECANISMO DE CICATRIZAÇÃO

Três fases do processo de cicatrização após o microagulhamento podem ser identificadas:

1ª) INJÚRIA: liberação de plaquetas e neutrófilos → liberação de fatores do crescimento TGF-α e TGF-β, de fator do crescimento derivado das plaquetas (PDGF), de proteína III ativadora do tecido conjuntivo e de fator do crescimento do tecido conjuntiva → ação em queratinócitos e fibroblastos.

2ª) CICATRIZAÇÃO: neutrófilos são substituídos por monócitos → angiogênese, epitelização e proliferação de fibroblastos → produção de colágeno tipo III, de elastina, de glicosaminoglicanos e de proteoglicanos. Paralelamente, o fator de crescimento dos fibroblastos, o TGF- α e o TGF-β são secretados pelos monócitos. 5 DIAS APÓS INJÚRIA: matriz de fibronectina está formada → depósito de colágeno logo abaixo da camada basal da epiderme.

3ª) MATURAÇÃO: colágeno tipo III → substituído pelo colágeno tipo I, mais duradouro, persistindo por prazo que varia de cinco a sete anos.

Esta técnica, também chamada de indução percutânea de colágeno, apresenta diversas indicações, sendo as principais a flacidez cutânea, as cicatrizes de acne, as estrias e as alopecias não cicatriciais, como eflúvio telógeno (ET), alopecia areata (AA) e, mais especificamente, a alopecia androgenética masculina e feminina (AAG), pois esta possui um percentual de quadros clínicos frequentes e em ascensão, causando uma perda qualitativa e quantitativa dos fios, e devido à presença dos fatores de crescimento promoverem uma contribuição significativa para o tratamento.

A Alopecia Androgenética, também conhecida como calvície, é a causa mais comum dentre os homens com maior impacto visual e, em percentual, atingindo cerca de 95% dos casos de queda capilar, conhecida como queda padrão masculina.

O grupo feminino não fica livre dessa disfunção, mas a evolução é menos acelerada e o formato do seu desenvolvimento é diferente, devido à presença dos receptores androgênicos ser menor nas mulheres, e junto à presença da enzima 5-alfa-redutase, que converte testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), principal hormônio que faz o processo de miniaturização dos fios.

Abaixo, vou deixar alguns tópicos principais que classificam um caso de alopecia androgenética:

  • Há uma mudança hormonal, uma transcrição de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT);
  • Ocorre uma diminuição de pelos terminais em pelos vêllus;
  • Normalmente, atinge o topo da cabeça;
  • Na maioria dos casos, aumenta a oleosidade no couro cabeludo;
  • Na porção frontoparietal e occipital média e baixa, na grande maioria, os cabelos não afinam.

Os fatores de crescimento, também denominados por alguns autores de citocinas, são membros de um grande grupo de polipeptídios secretados por várias moléculas reguladoras do nosso organismo. Atuam como mediadores na maturação celular e como responsáveis pelos processos de reparação de danos teciduais. Têm uma ação importante de angiogênese, aumentando o processo microcirculatório local e ativando vários grupos celulares na integração e vitalidade dos tecidos. São inúmeros os Grow Factor’s “GF” contidos no plasma sanguíneo.

Na pele, os Fatores de Crescimento e seus Peptídeos são responsáveis por:

  • Iniciar o processo de cicatrização (remodelação), substituindo o tecido danificado por um tecido novo;
  • Estimular a produção de matriz extra celular (fibras e glicosaminoglicanas) e, desta forma, promover o preenchimento da epiderme, da derme e da hipoderme;
  • Promover angiogênese no folículo capilar (mecanismo inovador) e, desta forma, revitalizar e nutrir o couro cabeludo;
  • Aumentar a população de folículos capilares.

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VANTAGENS DO MICROAGULHAMENTO

  • O procedimento permite estímulo na produção de colágeno sem remover a epiderme;
  • O tempo de cicatrização é mais curto e o risco de efeitos colaterais é reduzido em comparação ao de técnicas ablativas;
  • A pele se torna mais resistente e espessa, divergindo de técnicas ablativas, em que o tecido cicatricial resultante está mais sujeito ao fotodano.

DESVANTAGENS DO MICROAGULHAMENTO

  • É um procedimento técnico-dependente e exige treinamento;
  • Exige tempo de recuperação, caso seja indicada injúria moderada a profunda;
  • Exige do médico avaliação criteriosa do paciente e proposta terapêutica compatível com os resultados possíveis de serem alcançados, evitando falsas expectativas.

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Referências Bibliográficas:
1. Indução percutânea de colágeno com agulhas, Emerson Andrade.
2. MICROAGULHAMENTO: TÉCNICA E INDICAÇÕES Gorgulho M, Bedin V.